Debate de temas sobre a Policia Judiciária, investigação criminal, prática judiciária e temas de direito. Se quiser enviar artigos: invescriminal@gmail.com

sábado, 27 de julho de 2013

O problema dos "caseiros", ahhh e para a semana há cãezinhos......

Daqui:

http://pensaraseguranca.blogspot.pt/2013/07/escutas-e-as-quintas-do-crime.html?spref=fb

Escutas e as "quintas" do crime

Nas discussões acerca da segurança e da criminalidade é recorrente falar-se na existência de "blocos" ou de "cilindros", quase inamovíveis e que não partilham entre si informação. Refiro-me - concretamente - a organismos nas FSS (Forças e Serviços de Segurança) que se fecham e que procuram, a todo o tempo, ganhar mais competências para a sua tutela, o que - na sua lógica - significa mais poder.
Este argumento não podia ser mais falacioso e deve - em meu entender - ser desmontado. Na verdade pode-se argumentar, numa primeira perspetiva, que essas repartições de funções, de competências e de especificidades resultam da história, da lei e da doutrina que fundam essas FSS. Assim sendo pode-se, naturalmente, argumentar que, pelo menos até um certo ponto, faz sentido a existência de organismos separados, com tutelas diversificadas ao mais alto nível político e que têm - eles próprios - uma especificidade que justifica a sua existência. Mas, e também como argumento válido numa segunda perspetiva, se pode justamente defender, com propriedade e com fundamento, que essas repartições de funções e de competências resultam em "quintas", em unidades orgânicas e em competências (de investigação criminal, de escutas, por exemplo) que deveriam ser mais transversais, em benefício do melhor funcionamento das FSS e - em última análise - em benefício do próprio combate à criminalidade.
Vem tudo isto a propósito da mais recente polémica acerca das escutas e dos órgãos de polícia que devem estar autorizados a poder fazê-lo. Independentemente dos desenvolvimentos tecnológicos recentes e dos meios postos à disposição de cada FSS pelos sucessivos governos de Portugal, a realidade é que os argumentos apresentados pela atual ministra da Justiça só parecem ter um fim: a autojustificação da existência da Polícia Judiciária (PJ) enquanto órgão dependente da tutela desse ministério e - por essa via - de justificação de mais poder para a titular da respetiva pasta da Justiça. Trata-se - portanto - de mais um caso em que o mau exemplo vem de cima. Ora se a PJ é certamente das polícias mais qualificadas que temos, também será justo perguntar o que se tem feito para dignificar este OPC (Órgão de Polícia Criminal)? Será que a inauguração de uma nova sede, com melhores e muito merecidas condições de trabalho, justifica só por si o papel atual da PJ na sociedade? Ou não seria preferível pensar na sua integração funcional em outro ministério, na dignificação do seu ensino, da sua formação e dos seus profissionais? São questões que - por agora - ficam no ar e a que voltaremos nas próximas semanas.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Macedo a ministro da Justiça!

Fraudes na Saúde ultrapassam os 130 milhões de euros

Publicado ontem

 
 48 9 0
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou, esta quarta-feira, que o número de casos reportados sobre fraudes no Serviço Nacional de Saúde é já superior a 130 milhões de euros, uma vez que os casos "continuam a crescer".
 
foto ÁLVARO ISIDORO / GLOBAL IMAGENS
Fraudes na Saúde ultrapassam os 130 milhões de euros
Ministro Paulo Macedo
 
"Nós transmitimos um valor de casos reportados superior a 130 milhões de euros e os casos continuam a crescer em termos do seu reporte às autoridades. O valor será com certeza maior e, sobretudo, tendo em atenção que o Ministério Público recentemente divulgou um conjunto de casos que estão em investigação e ainda não foram concluídos", disse Paulo Macedo.
O ministro falava aos jornalistas à margem de uma conferência sobre estratégias de Saúde em Cascais, reagindo às detenções feitas, na terça-feira, pela Polícia Judiciária de pessoas ligadas à atividade médica, farmacêutica e da distribuição de medicamentos por fraudes no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
"Estas operações que as autoridades têm estado a desenvolver provam aquilo que já se tem dito, de que há um conjunto de fraudes no Serviço Nacional de Saúde disseminadas e, infelizmente, com alguma diversificação no seu tipo de atuação e com valores muito elevados", afirmou o governante.
Paulo Macedo sublinhou ainda o "mérito das autoridades policiais" pela "eficácia e discrição" nas suas investigações.
Três médicos, dois farmacêuticos, um delegado de informação médica e um empresário ligado ao armazenamento de medicamentos foram detidos na terça-feira. Em causa estão os crimes de corrupção passiva para ato ilícito e burla qualificada (de elevado valor) ao SNS, entre outros ilícitos.

sábado, 6 de julho de 2013

À escuta, transmite!

Fala-se de uma alteração à LOIC (primeiro o jornal SOL,também aqui depois o expresso) no sentido de apenas permitir à PJ a realização de intercepções telefónicas (vulgo "escutas") em virtude da "vulgarização" de tal meio de recolha de prova excepcional.
Diz-se que a PJ terá o Monopólio.......mas das pesquisas realizadas apenas se conseguiu um "parecer" do SMMP, cuja leitura se aconselha vivamente.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Mas o dinheiro é sempre para os mesmos?????

Governo anuncia 12 milhões de euros para viaturas da GNR e PSP

por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, anunciou hoje um investimento de cerca 12 milhões de euros para a aquisição de viaturas para a PSP e a GNR.
"Temos um conjunto de procedimentos que vão arrancar agora com várias centenas de automóveis para a PSP e GNR num montante que ronda os 12 milhões de euros de investimentos", disse aos jornalistas Miguel Macedo.
As declarações de Miguel Macedo foram feitas após ter entregado 25 viaturas à GNR para a área do patrulhamento rodoviário.
Já em março, o Governo entregou outros 36 automóveis à Guarda Nacional Republicana.
Questionado pelos jornalistas se a PSP também ia beneficiar de novas viaturas, o ministro afirmou que Polícia vai ter novos automóveis no âmbito do conjunto de procedimentos que vai agora arrancar no valor de cerca de 12 milhões deu euros.

domingo, 16 de junho de 2013

Trânsito restricto


Aconteceu!

Ambíguas e pouco claras, as alterações legislativas relativas à utilização dos transportes públicos pelos investigadores da PJ tiveram como consequência a total desconsideração do seu Livre Trânsito por parte das transportadoras.
Por:Carlos Garcia, Presid. Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal


Imagine--se que, recentemente, na margem sul, um investigador, depois de se identificar, viu ser-lhe barrado o acesso a um transporte quando seguia um indivíduo suspeito da prática de crimes muito graves. A ação do motorista, ao exigir a apresentação de um título de transporte válido (?), levou a que o suspeito se tenha apercebido da situação e se pusesse em fuga, colocando em causa uma investigação de meses e de enorme relevância social. A dinâmica da investigação criminal nem sempre permite antecipar as condições de realização de algumas diligências, no caso, a prévia aquisição do título de transporte. Será compreensível que um investigador da PJ, depois de exibir o instrumento que garante a sua qualidade, possa ser impedido de executar as suas funções por quem quer que seja? Seria essa a intenção do legislador? Cremos que não! O Livre Trânsito é um instrumento de trabalho! Exigimos que seja respeitado como tal!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

PSP, GNR e Polícia Municipal - onde pára a polícia?
Click Here
A história das polícias é a história da necessidade de assegurar o império da lei. Se não está onde faz falta, só há um caminho: arranjar outras polícias!
Sábado, 25-05-2013, ca. 18h00 horas - na via rápida da Caparica, dois veículos envolvem-se num sinistro. Havendo um ferido, é alertado o 112, solicitando-se a presença do INEM e da Brigada de Trânsito. De imediato mais três carros chocam entre si. Nem 10 minutos haviam passado do alerta e os bombeiros locais apareceram para auxiliar as vítimas, prestar os primeiros socorros e desimpedir a via. O trânsito acumulou-se. E a fila, que era grande antes do sinistro, aumentou. Passaram-se 20, 30, 40 minutos. Da BT nem sinal! Os acidentados foram à sua vida e os bombeiros também, sem que a GNR se dignasse aparecer. Afinal era um soalheiro sábado à tarde, pelo que a zona balnear da Caparica e as respectivas vias de acesso não eram por certo merecedoras de policiamento. Ter sido expressamente chamada a BT terá também sido irrelevante.
Domingo, 9-06-2013, ca. 22h00 horas - na R. Garrett, coração do Chiado, um meliante tenta furtar produtos da Amorino. As pobres raparigas do estabelecimento abordam o criminoso à frente de uma casa cheia de clientes. Tentam proceder à detenção. Os clientes, quase todos estrangeiros, mantêm-se hirtos. Dois clientes portugueses vão à rua à procura de um agente da PSP... nem um em toda a rua. Nem no Largo do Chiado. Nem na Ivens ou na Anchieta. Nem sinal. As raparigas da geladaria ainda telefonam para a PSP... mas entretanto o meliante escapara-se a correr pela rua, ainda com parte do produto do furto na mochila. Polícias, nem vê-los! Afinal era uma noite primaveril no Chiado, coração da cidade turística e zona histórica, pelo que não é seguramente uma zona merecedora de policiamento.
Sextas e sábados a partir de Abril de 2013 - na R. da Misericórdia, ao Camões, até há bem pouco tempo, encontrava--se numa de duas esquinas, sempre nesses dias, um "grupo" de 8 ou 10 agentes da Polícia Municipal: ali preparavam as acções de fiscalização e vigilância a levar a cabo nessas noites. A partir de Abril, porém, essas mesmas duas esquinas passaram a ser controladas por um tipo muito especial de "comerciantes", vindos de ruas cimeiras do Bairro. Remédio santo. Nunca mais se viu Polícia Municipal por ali. Está bem pensado: longe da vista, longe do coração! Assim, em vez de ser a ordem a expulsar o ilícito, é este a expulsar a polícia... que timidamente recua de costas voltadas para o problema. Não fosse alguém exigir-lhe que actuasse! Estranhamente, a PSP também não gosta daquele quarteirão.
Estes episódios, vividos na primeira pessoa, permitem temer que as forças de segurança tenham entrado numa greve não anunciada: em vez de estarem onde devem estar, ou onde são chamadas, não estão, ou fazem ouvidos de mercador.
Se assim for, e não apenas uma curiosa coincidência de omissões policiais, é grave. Grave porque a história das polícias é a história da civilidade, da consciência social da necessidade de braços que assegurem o império da lei e da ordem. Se não está onde faz falta nem aparece quando é chamada, só há um caminho: arranjar outras polícias!
Advogado, escreve à sexta-feira

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Não estudem, não......

o Fim e ao Cabo

À espera de provas

Ana Saltão, a inspetora da PJ do Porto suspeita de ter assassinado com 13 tiros a avó do marido, goza o prazer da liberdade – enquanto os seus colegas da brigada de homicídios de Coimbra lutam contra o tempo para encontrarem provas que permitam uma acusação sólida.
Por:Manuel Catarino, Redator Principal



Até aqui, seis meses depois do assassínio, os investigadores têm uma tese – uma tese verosímil, é certo, mas apenas uma tese. Insuficiente para uma acusação, muito menos para uma condenação. Faltam provas – provas concretas e esclarecedoras. Falta a arma do homicídio. E não há uma única testemunha que a tivesse visto no local do crime. Também não há o mais leve rasto das movimentações de Ana Saltão. Só existe um motivo: a morte resolveu o aperto financeiro da suspeita. Mas o motivo, pelas nossas leis penais, vale zero.
O caso embaraça tanto a PJ, que não consegue as provas, como o MP, incapaz de acusar sem as provas. A procuradora que recusou arriscar uma acusação coxa foi substituída – diz-se – por um procurador mais experiente. Sem provas não há experiência que valha.

domingo, 9 de junho de 2013

ISENÇÕES Há muitas.....


http://www.dgsi.pt/pgrp.nsf/7fc0bd52c6f5cd5a802568c0003fb410/8e190b4baa98508580257a7c003ba1b6?OpenDocument


1. Existe uma antinomia normativa entre o artigo 71.º da lei orgânica do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 252/2000, de 16 de outubro, quando determina que as viaturas daquele Serviço estão isentas do pagamento de qualquer taxa em pontes e autoestradas, e a Base XIX do contrato de concessão celebrado entre a BRISA – Autoestradas de Portugal, S.A., e o Estado, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 294/97, de 24 de outubro, uma vez que este dispostivo legal não inclui o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras entre as entidades isentas do pagamento de portagens.

2. Os critérios de resolução de antinomias normativas são a hierarquia, a especialidade e a cronologia.

3. No caso vertente, são de afastar os critérios da hierarquia e da especialidade. O primeiro porque as normas em apreço são de igual hierarquia, porquanto os diplomas legais que aprovam as bases de uma concessão são verdadeiros atos legislativos; e o segundo porque ambas as normas são especiais em razão de diferentes critérios e em função de diferentes destinatários, o que significa que não existe, diretamente, entre elas uma relação de especialidade.

4. Aplica-se, contudo, o critério cronológico, na medida em que o artigo 71.º do Decreto-Lei n.º 252/2000, de 16 de outubro, é posterior à Base XIX do Decreto-Lei n.º 294/97, de 24 de outubro, derrogando-a tacitamente, no sentido de aditar às situações de isenção do pagamento de portagens constantes desta norma a isenção referida naquele artigo 71.º.

5. Apesar de a isenção concedida aos veículos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ser muito mais ampla do que a que resulta da Base XIX para os veículos da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana, não se afigura possível proceder à interpretação restritiva da norma do artigo 71.º do Decreto-Lei n.º 252/2000, de 16 de outubro, atendendo ao sentido literal da mesma, que atua como limite absoluto à ação do intérprete.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

sábado, 11 de maio de 2013

Velhos inimigos

Os velhos erros

A história das três mulheres que foram mantidas prisioneiras durante 10 anos, em Cleveland, nos Estados Unidos da América, permite recordar os desaparecidos em Portugal.
Por:Manuel Catarino, Redator Principal

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COMENTÁRIO MAIS VOTADO
"O mais fácil é culpar a PJ. Mais difícil é descobrir os criminosos e recuperar os desaparecidos. Complicado também é impedir esses raptos, e evitar que a imprensa interfira nas buscas, de forma tantas vezes desastrosa."
J. Rodrigues
09 Maio 2013




Não há memória de a Polícia Judiciária alguma vez ter resolvido o desaparecimento de alguém: pelo menos uma dúzia de casos, entre menores e maiores de idade, aguardam desde há longos anos por uma resposta. O exemplo que vem da América prova que a investigação é, regra geral, muito difícil – mas também não é menos verdade que, durante muito tempo, os desaparecimentos eram tratados pela PJ com a mesma displicência que habitualmente se dispensa aos casos menores. Ainda não existe na PJ uma secção especializada e dedicada. As vítimas e as famílias merecem maior esforço.
Os grandes fracassos da PJ estão, precisamente, nos casos de crianças desaparecidas – e o mais conhecido acaba de fazer 6 anos: Maddie. De então para cá, a polícia não se preparou para evitar cometer os mesmos erros. Hoje, num processo idêntico, tudo haveria de correr da mesma maneira.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Uma narrativa interessante


Daqui:

http://o-policia-sinaleiro.blogspot.pt/


Ignorar para convencer (parte I)

Duas entidades presidenciais sindicais têm alinhado discursos nos últimos tempos para atacar quaisquer ideias, estudos e propostas de racionalização dos modelos nacionais de Polícia, para se defenderem da emergência de teorias de unificação de Polícias e para sacudirem a possibilidade das organizações a que pertencem desaparecerem por inutilidade.
São essas personagens Acácio Pereira, presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF (SCIF-SEF) e Carlos Garcia, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC-PJ), ambos com frequente acesso à comunicação social.
O primeiro, Acácio Pereira, destacou-se claramente no Diário de Notícias de 5 de abril de 2013 com um artigo de opinião com o título «As polícias não servem para montar armadilhas».
Neste artigo de opinião, Acácio Pereira dedica-se a fazer uma colagem às posições habituais da ASFIC-PJ em relação à partilha das competências de investigação criminal e aquilo que apelida de intromissões em competências reservadas de investigação. Esta colagem, aliás, é algo que se tornou muito frequente nos últimos anos e que demonstra o desejo de uma boa parte dos funcionários do SEF: a ascensão a corpo superior de polícia (seja lá o que isso for!?), se necessário, integrando-se na PJ!
Ao copiar os argumentos da PJ em relação à Lei de Organização de Investigação Criminal (LOIC), Acácio Pereira mete os pés pelas mãos, demonstra que não conhece a Lei e tortura-nos com a sua ignorância e com a sua tentativa de se colocar literalmente em “bicos de pés”.
Acácio Pereira consegue de forma realmente criativa, conceber três tipos de competência de investigação criminal “competência genérica”, “competência específica” e “competência reservada”. Na realidade, existem apenas dois tipos, não de competências, mas de órgãos de polícia criminal: os de competência genérica (PJ, GNR e PSP) e os de competência específica (todos os restantes onde se encontra o SEF). As competências reservadas existem para garantir que, em regra, os crimes de um determinado elenco são investigados apenas por um determinado órgão de polícia criminal que detém acesso a informação, conhecimento e tecnologia que permitam produzir prova de natureza mais complexa.
No caso português, o único órgão de polícia criminal que detém por Lei competências reservadas é a PJ (um OPC de competência genérica), apenas para o elenco das condutas previstas no artigo 5.º da LOIC.
Por curiosidade se diga que, apesar da sua elevada especificidade, o SEF não tem quaisquer competências de investigação criminal que lhes sejam exclusivas. Ser específico é uma característica de especialidade e não de exclusividade. Continua Acácio indignando-se contra a intromissão da PSP e da GNR, nas suas áreas de trabalho (específicas e reservadas – a tal colagem permanente à PJ) justificando essa intromissão, com a necessidade que estes OPC têm de serem permanentemente mediatizados.
O remate final é brilhante e revelador de intenso desespero, pelo que irei transcrever as palavras exatas que Acácio Pereira utiliza para se referir à PSP e GNR: “Há, aliás, uma coisa que a maioria dos cidadãos já percebeu: são estas as mesmas entidades que procuram ocupar o espaço que não é o seu a demitirem-se de alguns dos seus deveres, nomeadamente o da visibilidade, escondendo-se atrás das barreiras de proteção nas estradas e montando verdadeiras armadilhas de caça às multas, ao invés de dissuadirem as infrações com a sua presença visível.”Não há palavras para qualificar esta afirmação do representante dos inspetores do SEF. Faltam-lhe argumentos ou foi recentemente autuado?!Falemos então do SEF, das suas competências e de armadilhas.
O orçamento do SEF parece efetivamente ser baixo, mas temos de aprender a fazer as comparações como deve de ser. Na verdade, o SEF é uma das organizações policiais portuguesas com maior orçamento per capita. Até certo ponto poder-se-ia perceber este fato à luz da sua especialidade, mas realmente, o seu custo está essencialmente na manutenção de uma estrutura hierárquica com demasiados dirigentes, aspeto que recentemente mereceu alguma atenção política.
As competências que hoje são do SEF têm origens remotas nas competências da antiga Polícia Civil (a origem de todas as polícias civis do país: PSP, PJ, SEF e ASAE). O SEF é uma organização autónoma há muito pouco tempo, não possuindo nenhuma congénere na Europa, onde as competências de estrangeiros costumam estar nas Polícias Nacionais.
No campo da investigação criminal o SEF gere na ordem dos 1000 inquéritos criminais por ano (menos que a Polícia Marítima). Se visitarmos as Estatísticas da Justiça podemos constatar que em 2010 (período que podemos comparar com toda a clareza) foram distribuídos pelo Ministério Público ao SEF 579 inquéritos, à PJ 34.756 inquéritos, à GNR 722.054 inquéritos e à PSP 741.183. Escuso-me de explorar esses dados.
Sendo verdade que o tipo de inquéritos é distinto e o pessoal disponível para os resolver também, a taxa de esforço das forças de segurança em relação aos “corpos superiores de polícia” é substancialmente maior e isso merece respeito porque representa um dos mais importantes contributos para a segurança e justiça dos portugueses.
Diga-se em abono da verdade, que a PJ nunca conseguiu garantir uma taxa de sucesso decente enquanto tinha toda a investigação criminal a seu cargo! Não se percebe porque estão com tanto peito agora. Vamos voltar à época dos arquivamentos em massa?
Finalmente, em relação a “intromissões e armadilhas” gostaria de mencionar um episódio recente.
O SEF noticiou com toda a pompa e circunstância que detivera em flagrante delito dois georgianos que assaltaram a casa do juiz-conselheiro Cardona Ferreira.
A história ganha contornos mirabolantes descrevendo o Diário de Notícias que: “Eram 13.00 quando os investigadores do SEF, que estavam a fazer uma vigilância numa rua da freguesia de Santa Maria dos Olivais, se depararam com dois “velhos” conhecidos: dois georgianos a quem este ano já tinha sido dada ordem para abandonar o território português, por estarem em situação de permanência ilegal. Longe de imaginarem que tinham acabado de ser “caçados” pelas objetivas desta polícia, os dois georgianos dirigiram-se a um prédio e iniciaram o seu modus operandi. Enquanto um deles entrou no edifício, outro ficou junto à porta da rua a fazer vigilância. Segundo foi apurado na investigação ao apartamento, este tinha uma porta com fechadura de alta segurança e estava trancada. No entanto, explicou ao DN fonte da investigação, “demorou menos de um minuto aos assaltantes abrirem a porta”. Segundo a mesma fonte, estes assaltantes eram uma “célula” de uma rede internacional e são verdadeiros profissionais. Utilizam gazuas, vulgo “chaves falsas”, para abrirem as portas. “São silenciosos e eficazes”, afiança. […] O SEF acredita que “pelo perfil dos indivíduos e pelo modus operandi’ se está perante o “fenómeno designado por criminalidade itinerante, responsável pelo aumento que se tem vindo a registar da prática do crime de furto a residências”.
O texto de má qualidade é da senhora Valentina Marcelino, caneta de aluguer e auto-declarada especialista em segurança interna.
Então deixem ver se compreendi:
1.       O SEF estava em Santa Maria dos Olivais a fazer uma vigilância que nada tinha que ver com crimes contra o património, apenas com a competência muito específica de estrangeiros em permanência ilegal.
2.       Aparecem uns tipos que, por acaso são estrangeiros e que, também por acaso são georgianos e que, ainda por acaso, andam a fazer assaltos em residências e que, por acaso aqueles inspetores do SEF conhecem.
3.       Por acaso, o SEF sabe que os georgianos andam a fazer assaltos a residências.
4.       Sabendo o que faziam os georgianos, deixaram-nos atuar à vontade (queremos supor que continuaram a “outra” vigilância).
5.       De seguida, os georgianos saíam carregados e os do SEF, fizeram um flagrante, correndo de seguida para a comunicação social.
6.       O SEF, diligente, indica ainda à comunicação social o local onde faziam vigilâncias, queimando qualquer possibilidade de voltar a passar despercebido na zona para continuar a “outra” investigação.
Acácio: Isto parece ter todos os ingredientes de que falava quando se referia à PSP e à GNR, veja:
1.       O crime primário é contra o património e não é por ser cometido por estrangeiros que é, necessariamente, da competência do SEF.
2.       O SEF não comunicou os fatos a nenhum outro OPC.
3.       “Não estava a investigar aquele crime” (pois não, pois não!) mas aguardou que o crime fosse cometido, não agindo preventivamente, preferindo criar uma “armadilha”, sabendo que poderia estar a colocar em risco a integridade física de outros cidadãos da zona.
4.       Não solicitou apoio tático da força de segurança territorialmente competente.
5.       Denunciou tudo à comunicação social, inclusivamente a zona, o modus operandi, as nacionalidades envolvidas, o nome da vítima, o local da sua residência (rua Cidade da Beira – Correio da Manhã de 19 de abril) e até o que fora subtraído (mais de 20 mil euros em notas, dois cofres fechados e armas de defesa pessoal do magistrado: um revólver e uma pistola semiautomática, com dezenas de munições, para além de documentos – Correio da Manhã de 19 de abril)! Toda a gente sabe o que tinha e como e onde vive a vítima que, a partir de hoje, estará certamente mais tranquila!
Mas ó Acácio… não há problema, foi um bom serviço policial e os colegas do SEF estão de parabéns. Nós, no Polícia Sinaleiro, não sentimos que um monte de bandidos presos pelo SEF seja uma intromissão na nossa horta.
O que interessa é que os bandidos estão dentro e esses já não fazem mais nenhuma durante uns tempos.
Acácio aprenda que “pela boca, morre o peixe!”
PM

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Concursos que pendem para a inexistência

Mensagem recebida via mail:
 
O tema repete-se: os concursos pendentes.
Não se compreende que diariamente vejamos publicados no DR, nomeações de concursos de todos os ministérios, inclusivamente do Ministério da Justiça,  concursos estes posteriores aos da PJ, inclusivamente procedimentos concursais de 2012, quando os da PJ são de 2010.
Há mais de dois anos que nos andam a deitar areia para os olhos escusando-se com pedidos de pareceres devido a possível valorizações remuneratórias, o que não irá acontecer no meu caso dado que o meu salário já é superior, e mais recentemente que se encontram aguardar autorização do Ministério das Finanças. Ora assim sendo verificamos que só existem restrições para os concursos da PJ o que não dá para entender.
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ele há coisas estranhas


Lisboa: Agente da PSP preso com cúmplice e libertado pelo juiz

Polícia tinha 67 quilos de haxixe

Um agente da PSP da Quinta do Cabrinha, em Lisboa, foi preso com um cúmplice quando se preparava para entrar num Mercedes que continha 67 quilos de haxixe na bagageira.
Por:Miguel Curado/ Sara G. Carrilho com J.C.

O polícia, de 32 anos, presta serviço há cerca de seis na 4ª Divisão do Comando de Polícia de Lisboa. Já estava debaixo de olho da Divisão de Investigação Criminal (DIC) há vários meses. Fonte policial disse ao CM que o jovem agente era suspeito de ligações ao submundo do tráfico de droga e da segurança da noite.
A meio da tarde de terça-feira uma brigada da 3ª Esquadra de Investigação Criminal detetou o polícia e o cúmplice, de 34 anos, já com cadeia cumprida por tráfico de droga, a deslocarem-se para um Mercedes estacionado numa rua da zona de Benfica. A polícia tinha a indicação de que o carro estava carregado de droga.
Detidos os dois homens, foram pedidos mandados de busca para a viatura, confirmando-se a existência de 67 quilos de haxixe na bagageira. Suspeita-se de que a droga tenha entrado em Portugal vinda do Norte de África.
Foram ainda apreendidas mais duas viaturas. Presentes a juiz, o civil ficou com simples termo de identidade e residência e o agente com apresentações periódicas às autoridades.





domingo, 21 de abril de 2013

QUALQUER DIA É O GUARDA NOTURNO


Sintra: polícia marítima não informou PJ da morte de professora

Filha da vítima leva a homicida

Investigação foi salva por jovem, que não acreditou na versão formal de suicídio da mãe.
Por:Henrique Machado




APolícia Marítima ia deixar passar um homicídio sem castigo, com o processo prestes a ser arquivado numa versão de suicídio, depois de não ter sequer comunicado à Judiciária de Lisboa, como mandam os procedimentos, o facto de ter sido encontrado a 31 de março, na praia da Aguda, em Sintra, o corpo da professora Delmira Claro, 53 anos, que fora afinal assassinada à pancada e por afogamento por um amigo com quem saíra na noite da véspera.

A Judiciária, que tem a competência exclusiva para a investigação e é a única a estar habilitada tecnicamente para aferir da existência ou não de crime – pelas inspeções que faz aos cadáveres, complementadas pelas autópsias e por outros fatores da vida das vítimas – só soube do caso da morte de Delmira Claro através de uma notícia do CM. E por intervenção posterior do Ministério Público, que fora contactado pela filha da vítima – jovem inconformada com a tese formal de suicídio da mãe.

O corpo fora encontrado despido da cintura para baixo; o jipe da vítima desaparecera, tal como os bens pessoais; e faltava investigar o amigo Hugo Sousa, 35 anos, a quem a professora dera boleia. Matou a, roubou-lhe o jipe e outros bens, levantou dinheiro da sua conta, e foi agora preso pela PJ.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

TURISMO JUDICIÁRIO


FORÇAS ARMADAS

Aguiar-Branco quer aviões da Força Aérea a apagar fogos

por LusaHoje40 comentários
O ministro da Defesa disse quinta-feira à noite haver todo o interesse em empenhar aviões da Força Aérea no combate aos incêndios, cenário já discutido com o ministro da Administração Interna e com o chefe do ramo militar.
"É uma situação que já foi objeto de análise entre mim e o senhor ministro da Administração Interna, onde também esteve o senhor general CEMFA [Chefe do Estado-Maior da Força Aérea. Temos todo o interesse em poder aproveitar realmente este equipamento [avião C-295] para essa valência", salientou José Pedro Aguiar-Branco, na Base Aérea n.º6 no Montijo, após acompanhar uma missão noturna de vigilância e fiscalização a bordo da aeronave.
Durante um 'briefing' que antecedeu o embarque, o CEMFA, general José Pinheiro, afirmou que o C-295 e o P3-C têm capacidade e podem ser empenhados em missões de "combate aos fogos" e na "ajuda na coordenação" das operações.
O oficial acrescentou que os meios servem para operar "em benefício" das pessoas e para "cumprir as missões da melhor maneira".
Após o voo de cerca de duas horas e meia a bordo do C-295, o ministro da Defesa ficou impressionado com as "capacidades e o enorme potencial" do avião, que, segundo o governante, "justificaram a sua aquisição" em 2007.
"Demonstra que é uma mais-valia nas várias funções que pode desempenhar. Quer em missões de vigilância, de monitorização e de controlo, como a que tive a possibilidade de assistir, e que são muito importantes para a Força Aérea, para as Forças Armadas e até para a interoperabilidade conjunta que pode ter com outras forças de segurança", frisou Aguiar-Branco.
A  bordo seguiram igualmente o diretor nacional da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), general Manuel Couto, e o comandante da Unidade de Controlo Costeiro da GNR, general José Fonseca.
No início de 2007 o Governo português assinou a compra de doze aeronaves C-295 para substituir os aparelhos C-212 Aviocar, então sediados na Base Aérea n.º 1, em Sintra.
Sete destes aviões estão configurados para transporte aéreo tático e os restantes cinco para vigilância marítima.
Em 2009 deu-se a transferência da esquadra para a Base Aérea n.º 6 (Montijo), onde em fevereiro desse ano aterrou o primeiro C-295.
A 15 de fevereiro foi anunciado que a empresa Everjets tinha ganho a adjudicação para o fornecimento de 25 helicópteros ligeiros de combate a incêndios florestais. Desde então tem havido litígios judiciais entre a empresa vencedora e a Heliportugal, consórcio perdedor, com troca de acusações mútuas sobre alegadas falsificações de documentos.


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Lisboa, Portugal
Investigador Criminal