Debate de temas sobre a Policia Judiciária, investigação criminal, prática judiciária e temas de direito. Se quiser enviar artigos: invescriminal@gmail.com

domingo, 3 de julho de 2011

Não serão abutres?

Falcões à portuguesa

A Justiça vai ter mais trabalho pela frente (previsível surto de criminalidade) além de ter de resolver a trapalhada deixada pelo governo anterior.

Por:Carlos Garcia, Presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal

Urge (re)alterar muita legislação penal e processual recentemente alterada. Por exemplo, a LOIC foi construída, essencialmente, para DESVALORIZAR a PJ – face aos demais OPC.

NIVELANDO a PJ pelos outros OPC, nomeadamente através das "competências partilhadas", a nova lei trouxe mais conflitualidade onde dizia hipocritamente que ia existir mais coordenação. Conflitualidade assim potenciada para permitir o crescimento de uma figura (SG-SSI), como COORDENADOR, mas que não passa de uma figura instrumental//transitória no caminho para um modelo em que se pretende submeter completamente a Justiça aos desígnios da "segurança nacional". Um órgão político não é idóneo para controlar informação criminal, nem qualquer vertente da investigação criminal.

Nem nos EUA, um dos paradigmas securitários inspiradores dos nossos ‘falcões’, isso sucede, porquanto, o principal sistema de informação criminal é gerido pelo FBI (a PJ americana), que por sinal depende do Departamento de Justiça. Querem verdadeira coordenação policial em Portugal, que não seja virtual, nem permeável ou suspeita? Falem com a PJ…

A nova investida

Polícia única reduz dirigentes e poupa 270 milhões

PSD não abdica de criar uma polícia nacional civil. Estudos apontam poupanças.

Um futuro modelo de polícia, de natureza civil, que agregue a PSP, a Polícia Judiciária (PJ) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), reduziria os cargos dirigentes a, pelo menos, metade. Este é, juntamente com a melhoria da eficácia operacional, um dos principais argumentos que sustentaram a posição do PSD na defesa da criação de uma polícia nacional (PN) que juntaria estas três forças.

Cálculos preliminares que foram realizados apontam para uma redução de despesas anual da ordem dos 30%, o que corresponde a cerca de 270 milhões de euros, com este modelo de polícia em pleno funcionamento. Os orçamentos das três forças rondam os 900 milhões de euros.


Pergunta do blogger: e quanto se pouparia em juntar PSP e GNR?

domingo, 26 de junho de 2011

O(A) novo(a) Director(a) Nacional- um sinal e uma esperança

Agora que a comissão de Almeida Rodrigues já chegou ao fim (há um mês!!!!!) vai ser importante ver o que a nova ministra vai fazer em relação à PJ, e que ditará o futuro da nossa instituição. Renovar a comissão à actual Direcção Nacional ( ou promover a director nacional alguém desta direcção) é assinar a sentença de morte da PJ, pois quem nada fez em 3 anos...........É importante dizer que grande parte dos Inspectores desta PJ é da opinião que esta foi das piores direcções que nos últimos anos passaram pela PJ e não querem repetir a nomeação de Policias para Director Nacional.
Disto isto, poderemos especular um pouco sobre os nomes que estarão em cima da mesa de Paula Teixeira da Cruz, e esperar que a nomeação do Director Nacional seja feita para "lutar" contra a manutenção do PGR:
- Maria José Morgado- Procuradora actualmente directora do DIAP de Lisboa, conhece - como muito poucos- Duques, condes e marqueses do MP e a Policia Judiciária, sabe que terá de fazer uma " revolução " na PJ pois a meritocracia há muito que deixou de ser critério de ascensão na carreira. Resta saber se nesta fase da sua vida tem vontade para tal missão.
- Carlos Alexandre- Juiz do Tribunal Central, um workaholic ultra-competente, com muita vontade de ser Director Nacional da "Bófia" e teria a vantagem de ser um contra-poder do actual PGR. Tem como desvantagem a visão "romântica" que tem da Policia e de apenas conhecer o lado "bom" da Policia (leia-se os processos de droga de tráfico marítimo, as grandes falsificações, alguns processos de corrupção) não saberá onde se irá meter; de outra forma, desconhece-se se o poder politico terá vontade de colocar como Director uma verdadeira "locomotiva" jurídica capaz de por a PJ nos trilhos e a todo o vapor.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O assobio continua?

Agora que o projecto da " fusão" de policias civis(?????) parece -para já - adiado, talvez fosse tempo de a ASFIC (sim porque desta Direcção Nacional apenas se pode esperar que faça os impossíveis por se manter no cargo) exija mudanças na Policia Judiciária e na estrutura da investigação criminal: alterações na estrutura da policia ( para quando a junção em Lisboa das Secções que investigam a criminalidade violenta sob o mesmo "chapeú"?) e nas normas de funcionamento ( Piquetes, trabalho suplementar, etc....), interligação entre os diversos sistemas de informações das Policias, coordenação das investigações e cumprimento da LOIC,
Ou será que vamos continuar a assobiar para o lado e ver a Policia a degradar-se a cada ano que passa?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O plano de porco verde

Discussão pública do "plano secreto" do PSD para unificar todas as polícias

por Adriana Vale, Publicado em 15 de Junho de 2011
Sindicatos contestam o projecto para a criação de uma nova polícia que reúne PSP, PJ e SEF e que deixa a GNR de fora

Ainda não se tinha chegado ao dia das eleições quando os sindicatos souberam da existência de um plano do PSD - nessa altura secreto - para a criação de uma nova polícia, que seria Polícia Nacional. Grande parte das associações sindicais da polícia não vê com bons olhos o projecto de unificação, embora nem todos os sindicatos estejam contra. O PSD, por sua vez, não quis comentar a existência deste projecto.

Segundo o documento, a que o i teve acesso, seriam integradas em processo de casamento de conveniência a Polícia de Segurança Pública (PSP), a Polícia Judiciária (PJ) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). A PSP tinha de deixar para trás o GOE e a Judiciária perdia a exclusividade na direcção do laboratório de polícia científica, que ficava "na dependência do secretário-geral do sistema de segurança interna". A GNR continuaria assim à parte, o que se explicava pelo carácter dual do sistema de segurança, civil, por um lado, e militar, com a GNR, por outro.

Todos os que estariam incluídos na Polícia Nacional fariam, como já fazem, investigação criminal, responderiam perante uma só direcção nacional e estariam divididos em direcções centrais. A direcção dos Recursos e Apoio, comum às três polícias; a de Segurança e Ordem Pública, caracterizada pelas missões da actual PSP; a de Prevenção e Investigação Criminal, com as competências actuais da PJ e da PSP; e a de Imigração e Estrangeiros com as competências actuais do SEF, "aditadas da emissão de passaportes e da concessão de vistos".

A esta estrutura acrescentar-se-ia um gabinete de imprensa comum, "uma direcção de Disciplina e Assuntos Internos, uma direcção de Cooperação Internacional Operacional (que incluiria a Interpol, a Europol e "outros considerados necessários") e uma direcção de Análise e Centralização da Informação "que servirão toda a estrutura", acrescenta-se no projecto.

A GNR também deveria ser alvo de uma "profunda restruturação", mas ainda não são revelados os seus contornos. Quanto a admissões, o documento assegura que "parece possível que num período entre três e cinco anos, não seja necessário efectuar admissões para as componentes de investigação criminal e dos estrangeiros e que para a da segurança pública, a mesma seja residual". Prevê-se também a "possibilidade de mobilidade interna entre as três componentes, o que dará flexibilidade na gestão do pessoal, com ganhos evidentes". O direito à greve é um pormenor que fica por resolver pois este é vedado à PSP, mas não à PJ e ao SEF, facto que "não poderá deixar de ser tido em conta". A investigação criminal estaria dividida em duas vertentes, a que está reservada à PJ e outra "de proximidade, com os crimes que ficam fora da área da competência reservada da Judiciária" que estaria atribuída aos actuais efectivos da PSP. Tudo isto pouparia dinheiro e teria o condão de sanar conflitos quotidianos entre as forças de segurança.



Casamento complicado A resolução de diferendos entre polícias não é objectivo fácil. A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da PJ (ASFIC), já fez saber que se vai "barricar" contra este projecto que revela desconhecimento da área da investigação criminal. Acredita também que pode ser uma tentativa de politizar e controlar a investigação. Paulo Rodrigues, da ASPP, Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, também acha que "será muito difícil implementar este programa". Tudo precisa de ser "bem pensado e analisado e tem que se saber porque razão a GNR fica de fora, qualquer modelo deve ter por objectivo a resolução dos problemas e não a criação de novos".

Neste modelo a "PSP fica reduzida indirectamente a uma Polícia Municipal" e os problemas decorrentes do sistema dual e da duplicação de competências, com a GNR, mantêm-se. Para o representante sindical do SEF, o secretário nacional adjunto do SCIF, Mário Antunes Varela, o projecto "nasce sem pai e sem mãe" e a discussão foi inquinada pois o que está em causa é o que a população precisa e não o que as diferentes polícias precisam. Não precisamos de protagonismos, mas de ver o que se passa nos outros países em que foi implementado o sistema de uma só polícia, como a Áustria. Mais importante é saber "como este projecto será implementado" e garantir que serão "respeitados os direitos das pessoas", pois é sabido que os efectivos da PSP, da PJ e do SEF têm estatutos remuneratórios diferentes e acesso diferenciado aos meios de investigação. Peixoto Rodrigues, do SUP, Sindicato Unificado da PSP, não encontra qualquer desvantagem no projecto e a fusão com a PJ" será uma mais--valia para a PSP", sublinhando ainda que "o espírito corporativo não pode funcionar acima do interesse da população". Certo é que todos partilham da opinião que a questão mais importante reside na partilha de informação. Esta é, sem margem para dúvida, o ponto mais importante e de mais difícil resolução.

As equipas de queijo e fiambre

Guerra' entre polícias estragou prevenção no Algarve

Ministro da Admnistração Interna, Rui Pereira e o secretário-geral do sistema de segurança interna, Mário Mendes

A equipa mista de prevenção criminal que o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, anunciou há ano e meio para combater a insegurança no Algarve foi extinta em Setembro do ano passado porque as forças e os serviços de segurança que a integravam não se entendiam.

A revelação é do ex-secretário-geral do Sistema de Segurança Interna juiz-conselheiro Mário Mendes, que no despacho de extinção que assinou, quando ainda exercia aquelas funções, apontou como uma das principais falhas a dificuldade na partilha de informação.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Será que os sinos dobram?

Mensagem recebida via mail:
Não estará na altura de "tocar os sinos" a rebate na PJ e " dar o litro" para mostrar que a nossa " existência" vale a pena?
Ou será que estamos todos apenas preocupados com os " carrinhos" novos que há para distribuir?
Julgo que está é a "hora" de suspender a greve e mostrar que a PJ tem futuro, embora me assaltem alguma dúvidas quando constato o "abandalhamento" a que a casa chegou, com peculatos de uso consuetudinários, com motoristas ilegais, carros de função, etc, etc. Assim efectivamente não servimos a População, servimo-nos.. até quando? Será que também não é por isso que a integração está a ser ponderada?
E quem tem medo da integração? È quem trabalha?
Enfim pistas de um status quo de quem ainda espera que os sinos dobrem e se façam ouvir....

Acerca de mim

Lisboa, Portugal
Investigador Criminal